16.6.20

O prazer de (re)ver o mar

Um pequeno passeio para ver o mar foi uma das nossas primeiras “aventuras” de desconfinamento, mas sem nos metermos nas confusões das praias sobrelotadas. Queríamos ver o mar, ouvir o barulho das ondas, sentir o vento na cara, embora tapada com a máscara...


Fomos a S. Julião, na fronteira entre Sintra e Mafra, a praia onde já estivemos em todas as épocas do ano, mas à qual gostamos de voltar, seja para repousar na areia, para caminhar ou para comer uma bola de Berlim e beber uma bica no café com vista panorâmica.


Como estamos num tempo em que (quase) tudo é novo, optámos por deixar o carro no parque de estacionamento e, em vez de irmos para a praia, subimos a ligeira encosta rumo ao que desconhecíamos.

Seguindo sempre rente ao mar, chegámos a um núcleo de habitações e à Ermida de S. Julião, que estava em obras. Segundo a placa informativa, esta capela «data provavelmente do século XVI, apesar do culto a este santo neste local poder ser anterior» (Mais informações aqui e aqui).



Mesmo ao lado, existe um cruzeiro datado de 1784. Como explica a mesma placa informativa, trata-se de um dos cinco cruzeiros que compõem o Caminho das Almas, «uma espécie de Via Sacra que une a capela de São Julião ao cemitério da Carvoeira (anexo à igreja de Nossa Senhora do Ó)».


Seguimos, depois, pela arriba, apreciando a beleza da natureza, até avistarmos a praia da foz do Lizandro. 



Fizemos, então, o caminho de regresso, abrindo com esta pequena caminhada o apetite para uma “caracolada” em família. Tão simples e tão bom!

15.6.20

Braga vive S. João dentro de portas mas não dispensa sinais festivos nas ruas

Somos apreciadores dos santos populares, por isso vivemos esta época com nostalgia dos anos em que fazíamos o pleno dos festejos: Santo António em Lisboa, S. João no Porto e em Braga e S. Pedro na Afurada e na Póvoa de Varzim.


Este ano, por causa da pandemia, tudo é diferente. Sem ajuntamentos e folia nas ruas, os santos populares vivem-se dentro de portas. É precisamente essa a mensagem da organização do S. João de Braga, que mesmo assim traz para a rua alguns elementos típicos dos festejos, como a iluminação da Arcada e a colocação do S. João na fonte do centro da cidade.


Junto à capela de S. João da Ponte, devidamente decorada, há farturas, que agora até têm entrega ao domicílio, pão com chouriço e bolos de romaria.

Depois de ontem já ter havido um “aperitivo”, a iluminação vai ser oficialmente ligada hoje, às 22h00, com transmissão online pela Associação de Festas de São João de Braga, assim como todo o programa festivo, que inclui a atuação de grupos bracarenses.


No dia 23 de junho, pelas 22h00, os Amor Electro sobem ao palco do Altice Forum, sendo que o valor angariado com o espetáculo reverte para o fundo social sanjoanino. 

No Dia de S. João, 24 de junho, destaca-se a transmissão da missa, às 11h00, da capela São João da Ponte, a eucaristia solene de São João, às 16h30, na Sé Primaz, e o lançamento do hino de São João pelo músico Daniel Pereira Cristo, às 22h00.




8.6.20

Respirar ar puro

Tal como acontece com muita gente, desejamos voltar a aproveitar a liberdade para passear, depois do período de quarentena que nos obrigou a ficar em casa. Contudo, desconfinar em segurança tem de ser a palavra de ordem nesta fase, em que os números da pandemia ainda não nos deixam tranquilos. Fugimos, por isso, dos grandes aglomerados de pessoas, aproveitando para respirar ar puro num passeio de Braga até Santo António de Mixões da Serra, em Valdreu, concelho de Vila Verde. 


Neste local existe um santuário e um miradouro encimado por uma imagem de Santo António, sendo que se acede a este ponto privilegiado para ver os montes em redor por um escadório. 



Diz a tradição que, no domingo antes do dia de Santo António, há a bênção dos animais. Esta prática terá começado no século XVII na sequência de uma peste que dizimou os animais daquela zona. Pedindo a Santo António que protegesse os animais, os agricultores construíram, então, uma capela, que foi alvo de reformulações ao longo do tempo, tendo o templo actual sido concluído em 1952.


Devido às restrições por causa da Covid-19, este ano a tradição foi suspensa, tendo sido celebrada uma missa à tarde, em vez da eucaristia seguida de bênção que era costume decorrer da parte de manhã. Essa celebração costumava atrair uma multidão, não apenas os agricultores das imediações com bovinos e equinos para benzer, mas também muitos forasteiros com os seus animais de estimação.

Contudo, como o espírito de festa está inscrito no mais profundo da alma dos minhotos, quem ontem à tarde chegava a Santo António de Mixões da Serra era recebido pelo som de concertinas e não faltavam algumas vacas com os cornos devidamente enfeitados e cavalos. 


Seguimos, depois, em direcção a Ponte da Barca, por uma estrada estreita, em que as nuvens pareciam estar quase ao alcance de um braço esticado. 


Alguns metros depois de termos retomada o percurso, cruzámo-nos com vacas que pastavam calmamente na berma da estrada.


A segunda paragem foi no santuário da Senhora da Paz, erigido no local onde Nossa Senhora terá aparecido, a 10 e 11 de maio de 1917, ao pastorinho Severino Alves, então com dez anos de idade. Aqui existe um museu que diz ter «a maior coleção de cristais de quartzo do país». 


Chegados a Ponte da Barca, fomos até à praia fluvial, um local amplo e aprazível, passeámos junto ao rio e ainda percorremos um pouco da ecovia do rio Lima. Já com o sol a enfraquecer, parámos junto ao rio a apreciar os patos, os passarinhos e até as ovelhas que se avistavam na outra margem.


E assim passámos uma tarde simples, mas muito agradável, à descoberta do nosso território. Com a pandemia a criar dificuldades para as viagens para o exterior, parece haver agora mais gente a descobrir aquilo que sempre dissemos: somos um país com um enorme potencial para explorar.


5.6.20

Jacarandás em flor


Os jacarandás pintam Lisboa de lilás, indiferentes à pandemia e à crise económica que afligem os humanos. Mas há menos pessoas para poderem apreciá-los. As lojas encorajam os potenciais consumidores com mensagens como “sentimos a tua falta!”, “bem-vindo de volta!” ou “o bom cliente à casa torna”, mas nas ruas há um vazio ao qual já não estávamos habituados. As filas na Zara e na Bershka contrastam com as mesas e as cadeiras empilhadas no centro da rua Augusta, apenas animadas pelo barulho monótono de uma máquina de bordar a trabalhar à porta de uma loja. De Santa Apolónia à Avenida de Roma, a meio da tarde, apenas “meia dúzia” de pessoas, que nos fazem recuar no tempo, até à época em que a capital não era uma Meca do turismo. Com o entardecer, a zona ribeirinha parece ganhar mais vida. Voltam-se a ouvir gargalhadas no Cais das Colunas, mesmo ao lado de um Terreiro do Paço quase deserto. O sol está a pôr-se. Amanhã será outro dia. Mais um no lento e difícil recomeço. (Lisboa, 18 e 26 de Maio). Veja mais fotos na página do Sempre Prontos a Passear no Facebook.