26.10.19

Vinhos de todo o país à prova em Lisboa


O certame “Vinhos&Sabores” decorre até à próxima segunda-feira, na FIL – Feira Internacional de Lisboa, apresentando mais de 400 produtores de vinho, queijarias artesanais e outros sabores.


A edição deste ano aposta na estreia de um espaço para os vinhos biológicos e em dar mais destaque do que na edição anterior ao enoturismo. 



Para além da prova livre «de mais de 3.000 néctares», o programa inclui “provas especiais” comentadas por críticos e produtores vitivinícolas e a segunda edição do concurso “Par Perfeito”, em que seis chefes e outros tantos sommeliers procuram a melhor harmonização entre pratos feitos na hora e vinhos apresentados de surpresa.


Organizado pela revista Grandes Escolhas, este afirma-se como «o maior evento vínico do país», segundo o director da publicação, Luís Lopes. Em declarações ao "Sempre Prontos para Passear", este responsável destaca a presença de produtores de vinho de todo o país e alguns do estrangeiro.


Luís Lopes assegura que esta é a feira do sector que mais visitantes reúne, havendo a expectativa de que passem pelo certame pelo menos 12 a 15 mil apreciadores, enófilos e profissionais do sector.


Para além do número, o dirigente editorial sublinha a «qualidade dos visitantes». «São pessoas não vão para beber vinho. Vão para ficarem a conhecer mais do sector, para falarem com os produtores e para aprenderem a ser mais exigentes enquanto consumidores», declara. Muitos produtores aproveitam precisamente a presença deste público qualificado para a apresentação das suas novidades, especialmente os vinhos topo de gama.


Um dos momentos mais aguardados do certame é a revelação dos vencedores do concurso “Escolha da Imprensa”, em que perto de 60 jurados escolhem os melhores néctares, em prova cega. Os vencedores são os seguintes (a lista completa está disponível no site da Grandes Escolhas):

Espumantes
Montanha Grande Cuvée Bairrada Baga & Chardonnay branco 2010 (Caves da Montanha)

Brancos
Regueiro Barricas Vinho Verde Monção e Melgaço Alvarinho branco 2017 (Quinta do Regueiro)


Rosés
Ravasqueira Premium Regional Alentejano 2017 (Sociedade Agrícola D. Diniz)

Tintos
Antónia Adelaide Ferreira Douro 2015 (Sogrape Vinhos)

Generosos
Justino’s Madeira Sercial Colheita 2017 (Justino’s Madeira Wine)

O bilhete diário para o evento que ocupa os sete mil metros quadrados do pavilhão 1 da FIL custa 15 euros, enquanto o passe para os três dias se cifra nos 20 euros.


O preço da participação em cada uma das provas especiais ainda disponíveis no site do evento é 40 euros. A alternativa é comprar o pack, que dá acesso a várias provas, por 72 euros, mas há que ter em atenção que já há vários de eventos esgotados.

“A Grande Tabua de Queijos” custa cinco euros e permite que o visitante escolha amostras de queijos para harmonizá-las com vinhos selecionados.

O certame funciona hoje e amanhã das 15h00 às 21h00 e segunda-feira das 11h00 às 18h00 (só para profissionais).

23.10.19

Doçaria com 190 anos reabre em Braga

A festejar 190 anos, a Doçaria de S. Vicente reabriu hoje, em Braga, com nova gerência, assumindo a responsabilidade de manter a tradição dos doces conventuais com que se notabilizou.


Herdeira de receitas ancestrais, a equipa liderada por Sara Araújo promete manter a aposta nos doces tradicionais, como os Fidalguinhos, as Viuvinhas ou os Súplicos, a par de novos produtos.


Em relação à doçaria tradicional, recorde-se que os emblemáticos Fidalguinhos fazem parte do receituário do Convento da Nossa Senhora dos Remédios. Diz a tradição que o seu formato, finos e entrelaçados, faz lembrar as pernas cruzadas de um fidalgo.


As Viuvinhas (ou Viúvas) têm origem no mesmo convento, sendo que outrora este doce chegou a conhecido por “pastéis dos Remédios” e encomendado pelos monges de Tibães por altura das festas de São Bento.


Entre as opções da doçaria tradicional estão também as Pedreneiras, que representam os antigos passeios das ruas de Braga, os Charutinhos, as Bolinhas de Amêndoa, as Paciências, as Rosquinhas ou as Línguas-de-Gato.


Na breve cerimónia inaugural, após o cortar da fita, o presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, congratulou-se com a reabertura deste espaço emblemático do comércio bracarense, destacando que os doces feitos com as receitas tradicionais também fazem parte do património da cidade.

20.10.19

Grandes vinhos brancos à prova em Melgaço


O belíssimo espaço da fonte principal das Termas de Melgaço recebe, este fim-de-semana, a segunda edição do encontro “Monção e Melgaço – The White Experience”, que reúne 38 produtores de vinho.



Promovida pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, esta iniciativa pretende «afirmar Monção e Melgaço como uma sub-região de referência para a produção de grandes vinhos brancos».

Como referiu o presidente da entidade organizadora, Manuel Pinheiro, este evento enófilo «procura fazer a formação dos consumidores, colocando lado a lado os vinhos de Monção e Melgaço com alguns dos melhores vinhos brancos do mundo».

Por seu turno, também o presidente da Câmara Municipal de Melgaço, Manoel Batista, destacou que os produtores esta sub-região «não têm medo» de estar frente a frente com vinhos de outros pontos do mundo dada a qualidade dos produtos que apresentam no mercado.

Já do director da Revista Grandes Escolhas, responsável pela execução do certame, classificou esta sub-região como «a mais diferenciadora» dos Vinhos Verdes, pelo tipo de solo, clima, casta e factor humano. Para Luís Lopes, a área de Monção e Melgaço «é o centro de excelência de vinhos brancos em Portugal», não tendo por isso receio de se apresentar ao lado dos seus concorrentes.

A iniciativa conta com a participação de 16 produtores da sub-região Monção e Melgaço, seis da região do Vinho Verde, oito de outras regiões nacionais (Douro, Dão, Beira Interior, Bairrada, Lisboa, Alentejo, Távoa-Varosa e Açores) e oito internacionais (Alemanha, França, Áustria, África do Sul, Nova Zelândia e Espanha). Não perca, hoje, entre as 14h30 e as 20h00.

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18.10.19

De Braga a Melgaço pelo caminho mais belo

As Termas de Melgaço recebem, este fim-de-semana, a segunda edição da iniciativa Monção & Melgaço – The White Experience, que se afirma como «o maior encontro de vinhos brancos» que se realiza em Portugal. Para quem está a pensar em ir, nós damos a sugestão de um percurso que já fizemos. Não é rápido e não é por boas estradas, mas é de uma beleza que fica na memória. Venha daí...

Saímos de Braga em direcção a Rio Caldo, no concelho de Terras de Bouro, pela EN 103 e EN 304. Percebemos que fizemos bem em não termos ido pela autoestrada (note-se que a A3 termina em S. Pedro da Torre, município de Valença, ainda distante de Melgaço) quando começámos a descer o monte e a avistar o rio e as pontes.

Fizemos a primeira paragem no café mesmo junto à ponte, que tem uma esplanada panorâmica. Tivemos a sorte de estar bom tempo, mas já ali estivemos no Inverno e é muito relaxante estar mesmo em cima do rio a ver a chuva a bater nos vidros. Nas paredes do estabelecimento há imagens da construção das pontes, que vieram substituir as que existiam, quando a Barragem da Caniçada fez subir o nível da água. Recorde-se que o Município de Terras de Bouro já revelou a vontade de candidatar as pontes sobre o rio Cávado a património nacional.


A segunda paragem foi no Santuário de S. Bento da Porta Aberta, um importante centro de peregrinação. É, aliás, considerado «o segundo maior santuário português», a seguir a Fátima, «atraindo anualmente centenas de milhares de peregrinos». Foi elevado à categoria de Basílica a 21 de Março de 2015. A nível de edifícios, é composto por uma basílica (1895) e uma cripta (1998). Um detalhe distintivo deste local é um conjunto de bandeiras que lembra que S. Bento é padroeiro da Europa.



Deixámos um lugar com uma paisagem muito bonita para irmos para outro como uma vista ainda mais espectacular: o Miradouro da Pedra Bela (já tínhamos falado deste local aqui). A mais de 800 metros de altitude, daqui avista-se o vale do Gerês, a albufeira da Caniçada e as pontes de rio Caldo. Obrigatório.


Em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês, fomos até à Barragem de Vilarinho das Furnas, que atravessámos. A construção da barragem deixou submersa a aldeia de Vilarinho da Furna, em 1971. Ainda se conseguem ver os vestígios desta povoação quando o nível da água baixa substancialmente, o que não aconteceu nesta nossa visita.


Seguimos por uma estrada estreita a serpentear a montanha rumo a um restaurante surpreendente, “O Abocanhado”, em Brufe. Este é um restaurante requintado, num local ermo, com uma vista panorâmica soberba, que faz com que se queira prolongar a refeição tarde fora. Para ajudar a digestão, fica a sugestão de um passeio a pé pela pitoresca aldeia de Brufe, que «em 1706 não dava homens ao serviço militar, mas honrava o país na luta contra o invasor», como indica uma placa ali existente.



Com o tempo a fugir, fomos em direcção à Mata de Albergaria, o “coração” do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Percorremos a estrada que atravessa este importante bosque, cumprindo as regras estabelecidas para circular numa área que é reserva integral, de forma a evitar que a intervenção humana destrua o frágil equilíbrio do seu ecossistema. Para além de ter sido classificada pelo Conselho da Europa como uma das Reservas Biogenéticas do Continente Europeu, a Mata da Albergaria guarda um troço da Via Romana (Geira) e um importante conjunto de marcos miliários da antiga via que ligava Bracara Augusta a Astorga. Para quem gostar desta temática, no Campo de Gerês há o Museu da Geira.






Saímos de Portugal pela fronteira da Portela do Homem e entrámos em Lóbios (Espanha). Fomos até Torneiros, onde há uma “piscina” de água quente ao lado do rio e de um amplo espaço relvado propício para brincar ou descansar.


Depois de algumas aventuras, que incluíram resgatar uma bola de futebol do rio, seguimos pelas estradas espanholas em direcção a Portugal, mais precisamente ao Lindoso, onde vimos o seu castelo e o conjunto impressionante de espigueiros implantado nas imediações.



Voltámos a sair do país pela fronteira da Madalena para seguir por estradas espanholas até voltarmos a entrar em Portugal pela fronteira da Ameijoeira (Entrimo do lado galego) para passarmos em Castro Laboreiro. A visita foi demasiado rápida, por isso teve de ficar para outra ocasião a subida ao castelo roqueiro, um dos ex-libris da localidade.

A última etapa levou-nos até Melgaço, onde já não conseguimos encontrar nada aberto porque nos fomos demorando em cada sítio onde parámos.


Deliciámo-nos com a Festa do Alvarinho e do Fumeiro, que se costuma realizar no último fim-de-semana de Abril, e fomos dormir à Casa do Real (Pias, Monção), um espaço muito agradável, com obras de requalificação notáveis e com os proprietários de uma amabilidade inexcedível.