10.6.19

Monção e Melgaço promovem Alvarinho em Lisboa

Há quem considere o Alvarinho da sub-região Monção e Melgaço o Cristiano Ronaldo dos vinhos brancos, ou seja, o melhor do mundo. Fazemos parte dos apreciadores de Alvarinho, por isso não podíamos faltar à 5.ª edição do Alvarinho Wine Fest, que decorre até amanhã, 10 de Junho, no Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa.


Esta iniciativa apresenta cerca de três dezenas de produtores da sub-região Monção e Melgaço, que mostram na capital portuguesa mais de 100 vinhos da casta alvarinho.

Com muitos projectos de natureza familiar, que apostam na qualidade, os produtores desta sub-região revelam paixão pela terra e orgulho no vinho que apresentam. Ao percorrer-se o stands percebe-se o dinamismo desta região, patente nos prémios conquistados ou nas novidades que alguns produtores têm para apresentar.

Por exemplo, a "Quintas de Melgaço", que reúne mais de 530 pequenos e médios produtores, assinala as bodas de prata com a renovação da imagem de nove vinhos a cargo do Atelier Rita Rivotti – Wine Branding & Design.

Do concelho vizinho, a Adega de Monção arrecadou uma medalha de Prata no Concurso Internacional Brut Experience 2019 com o “Muralhas de Monção espumante 2015 Reserva”, a segunda distinção do espumante este ano, depois da medalha de Ouro no Concurso do Vinho Verde Engarrafado. Aliás, segundo a Adega de Monção, só no primeiro semestre de 2019, os seus vinhos «somam mais de 25 consagrações, tanto a nível nacional como internacional».

No exterior Pavilhão Carlos Lopes, em duas tendas gigantes, existe o espaço da restauração e dos produtos tradicionais. Chouriços, presuntos, queijos, roscas de romaria e papudos, pão-de-ló e mel são algumas das iguarias que é possível degustar, num local agradável, com música ambiente e vista para o recinto da Feira do Livro.


No espaço de restauração é possível comer o Cordeiro à Modade Monção, que na versão popular é chamado de “Foda à Monção”, eleito uma das “7 Maravilhas à Mesa de Portugal”, cujo processo para a obtenção da certificação está em curso. No espaço informativo é possível encontrar o “Guia do Cordeiro”, um roteiro dos restaurantes de Monção que servem diariamente este prato, para que quem for ao concelho não venha embora sem ter provado esta iguaria tradicional.

Pelo recinto circula a mascote da Feira do Alvarinho, um sorridente bago de uva amarelo, promovendo o certame que decorre de 5 a 7 de Julho, em Monção. Esta iniciativa proporciona três dias com os melhores vinhos, tasquinhas, música, folclore e muito mais, naquela que se afirma como «a maior wine party de Portugal».


Para além deste evento, Monção aproveita para divulgar o programa da Festa do Corpo de Deus, mais conhecida por Festa da Coca, por incluir o combate entre S. Jorge e o dragão (coca), marcado para dia 20 de Junho, às 19h00. Diz a tradição, que se ganhar o cavaleiro o ano será de bom vinho Alvarinho e se ganhar a coca será um ano difícil.

Por seu turno, Melgaço promove-se como «o destino de natureza mais radical de Portugal» e convida para uma visita aos seus museus. Depois de ter realizado a Festa do Alvarinho e do Fumeiro em Abril, o concelho já pensa na Festa do Espumante, que vai decorrer de 22 a 24 de Novembro.

A entrada no Alvarinho Wine Fest é gratuita, mas para provar os vinhos é necessário adquirir um copo por cinco euros. No último dia do certame, 10 de Junho, o horário é das 12h00 às 18h00. Segundo a organização, da responsabilidade da Cofina Media e dos Municípios de Melgaço e Monção, a edição do ano passado contou com cerca de 20 mil visitantes.

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6.6.19

Pelas ruelas, cores e cheiros de Lisboa

Na época dos Santos, os bairros típicos de Lisboa transformam-se. A agitação toma conta das ruas e ruelas, explodindo em euforia na noite de Santo António, em que o espaço se torna demasiado pequeno para albergar tantos foliões.


Gostamos dessa noite frenética, de percorrer os arraiais, de fazer quilómetros pela cidade a petiscar e a dançar. Mas também gostamos das ruas calmas, das ruelas estreitas sem vivalma, dos gatos que nos inspeccionam com curiosidade, da roupa a secar ao vento, das janelas com cortinas de renda, das sacadas com vasos de flores garridas, dos rádios que se ouvem em toda a vizinhança, da idosa à soleira da porta que deseja “bom dia” a quem passa e dos cheiros de iguarias em preparação que enfeitiçam o olfacto.


Foi esta a Lisboa que encontrámos no dia 1 de Maio. Saímos de casa para ir visitar o Teatro Romano, a Igreja da Madre de Deus (Museu doAzulejo) e, se não estivesse muita fila, o Castelo de S. Jorge, mas demos com o nariz na porta. Nós e milhares de turistas que percorriam as ruas em busca das principais atracções de Lisboa, que estavam fechadas por ser Dia do Trabalhador. Se os espaços dependentes do Estado estão fechados ou têm horários desajustados da procura, não há motivos para estranhar que os monumentos, palácios e museus nacionais tenham perdido quase 400 mil visitantes (7,8%) em 2018, apesar do aumento de turistas...


Depois da desilusão de termos encontrado o Teatro Romano fechado, podíamos ter voltado para casa, mas o bichinho do passeio (e o facto de termos conseguido lugar para estacionar naquela zona complicada) fez-nos ir até à Sé Catedral, também conhecida por Igreja de Santa Maria Maior. Como se pode ler nos painéis informativos sobre as escavações arqueológicas realizadas neste local, que testemunham diferentes ocupações desde a época romana, «segundo a tradição, D. Afonso Henriques, depois da conquista de Lisboa, em 1147, fez erguer a nova catedral no lugar da mesquita moura».


Seguimos até ao Miradouro de Santa Luzia, que em dia de sol forte apresentava uma magnífica vista sobre a cidade, os navios de cruzeiro atracados no porto e o rio Tejo. Descemos no elevador de Santa Luzia, inaugurado em 2015, que vence o desnível de cerca de 15 metros entre o Miradouro de Santa Luzia e a Rua Norberto de Araújo, e fomos explorar as ruas de Alfama.

O périplo continuou até ao Castelo de S. Jorge, que ficou por visitar. Depois de encontrarmos mais uma porta fechada, seguimos caminho como uma nova meta: a Igreja de S. Vicente de Fora. Segundo informação do Patriarcado de Lisboa, que tem aqui a sua sede, «a construção do Mosteiro de São Vicente de Fora teve início durante a união dinástica entre Portugal e Espanha, estando no trono Filipe I, e é um dos mais belos exemplares do maneirismo em Portugal. Neste lugar existia, desde 1147, um Mosteiro do mesmo nome, mandado construir por D. Afonso Henriques em agradecimento pela conquista de Lisboa aos Mouros nesse mesmo ano».


Terminada a visita, optámos pelo caminho mais longo e deambulante para regressarmos ao ponto de partida, no Largo do Correio-Mor, em frente ao Palácio dos Condes de Penafiel (sede da CPLP), que incluiu passagem pelo Largo do Salvador, engalanado com motivos das marchas populares e com um cheiro delicioso a grelhados, a antecipar os dias de festa que já aí estão.



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4.6.19

Serralves em Festa

Duas vezes por ano, os portões de Serralves, no Porto, abrem-se para maratonas de programação cultural, com entrada gratuita e actividades para toda a família. As iniciativas “Serralves em Festa” e a “Festa do Outono” conseguem captar um público diversificado, incluindo pessoas que não têm especial predilecção por arte contemporânea.

A 16.ª edição do “Serralves em Festa” realizou-se no último fim-de-semana, entre 31 de maio e 2 de junho, durante 50 horas sem interrupções. Segundo a Fundação de Serralves, «o maior evento da cultura contemporânea em Portugal e um dos maiores da Europa» recebeu 264.750 visitantes.
Um dos aspectos mais interessantes desta iniciativa é abertura do espaço à noite, altura em que ganha uma magia especial, sobretudo na parte do lago, com os sons da natureza a misturarem-se com os da música e os dos visitantes. Noutro local, junto ao roseiral, a noite convida a apreciar os focos de luz que atravessam a vegetação, a ver a dança das sombras e a procurar as estrelas. Vale realmente a pena parar e desfrutar de Serralves desta forma.
Para além das propostas em áreas diversificadas como música, dança, performance, teatro, circo contemporâneo e fotografia, os visitantes puderam ver as obras de Joana Vasconcelos, integradas na exposição "I'm Your Mirror". Recorde-se que esta mostra decorre até 24 de Junho, sendo que a artista vai estar em Serralves, no próximo domingo, dia 9 de Junho, a partir das 9h00, para o encontro "Um Olhar para a Arte Contemporânea".
Terminada esta iniciativa, começa a contagem decrescente para a “Festa do Outono”, que vai decorrer a 28 e 29 de Setembro. Durante um fim-de-semana, o programa promete inúmeras actividades para pequenos e graúdos, tais como a «interação com os animais» da quinta, «oficinas lúdico-pedagógicas, com abordagens ao ambiente e às artes, percursos e jogos que apresentam a biodiversidade do parque», que fica especialmente bonito naquela época do ano, tingido pelas cores de Outono, «ateliers de manufatura com exemplificação e experimentação de técnicas de produção e transformação de fibras têxteis ou workshops temáticos», para além de «espectáculos de teatro e de música». Marque na agenda!
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31.5.19

Braga dá a provar Vinho Verde

Os apreciadores de Vinho Verde têm, este fim-de-semana, paragem obrigatória em Braga. Entre hoje e domingo, decorre a sexta edição do Vinho Verde Fest, com 35 produtores, que apresentam para prova mais de centena e meia de vinhos.

Promovida pela Câmara Municipal e pela Associação Comercial de Braga, a iniciativa decorre na Avenida Central, com entrada livre, sendo esperados mais de 50 mil visitantes.

Para provar os vinhos, é preciso comprar um copo e uma prova por dois euros ou uma senha vínica por um euro. Nas imediações, há alguns espaços para petiscar e o certame inclui actividades como provas comentadas ou “showcookings”.
Vinte restaurantes associam-se a este evento. Os clientes do Vinho Verde Fest têm direito a um “welcome drink” nesses estabelecimentos. Por sua vez, quem for aos restaurantes, ganha uma prova de vinho para usar no festival.
Hoje, o Vinho Verde Fest está aberto até às 24h00. Amanhã, funciona das 12h00 às 24h00 e no domingo das 12h00 às 20h00.
A poucos metros, numa tenda, está a realizar-se, também até domingo, a Expocidades – Mostra Turística das Cidades do Eixo Atlântico, cujo programa prevê inúmeras degustações de produtos da euro-região.

26.5.19

Jardins Abertos à espera de visitantes

Que lhe parece a ideia de chamar os Bombeiros e a Força Aérea para salvar uma árvore? Esta é uma das histórias que vai ficar a conhecer se participar na iniciativa Jardins Abertos, que decorre até o final da tarde de hoje, em Lisboa.



Com o objectivo de dar conhecer jardins públicos e privados da capital, durante dois dias, este evento contempla a visita gratuita a espaços tão diferentes como o Jardim do Palácio de Belém ou o Centro Ismaili.

O nosso périplo incluiu, ontem, o jardim da residência do Embaixador dos EUA, que traduz os conhecimentos e o gosto deste diplomata e da sua esposa pela jardinagem. Destaque para as rosas vermelhas, uma homenagem simbólica aos bombeiros, que cheiram maravilhosamente. No final da visita, tivemos o privilégio de alguns minutos de conversa com a esposa do embaixador.

Seguimos para o Cemitério Britânico, mas, tal como várias pessoas que encontrámos pelo caminho, demos com a porta fechada, embora tenha sido anunciada a abertura durante os dois dias desta actividade.

Fomos então até ao Pátio dos Prazeres, onde um portão aberto leva os visitantes a um conjunto de habitações geminadas, com ruelas estreitas repletas de vasos.

A pouca distância, está aberto o Pátio do João e da Teresa, do mesmo género, mas que também tem uma hortinha. Estes dois espaços não são propriamente jardins, pelo que quem estiver à procura de algo mais estruturado deve ir a outros locais mais significativos, como por exemplo o Parque Botânico do Monteiro-Mor, cuja entrada se faz pelo Museu do Traje.

Acompanhámos parte da visita guiada a este espaço de 11 hectares e ficámos a saber que, em 1977, a primeira araucária conhecida em Portugal continental foi atacada por um fungo. Para salvar a “jóia” deste parque foi mobilizada a maior escada dos Bombeiros de Lisboa, para levar um jardineiro até à parte da árvore afectada. Um helicóptero da Força Aérea prendeu a parte doente e retirou-a dali após o corte. A aparatosa operação, que obrigou a deitar abaixo o portão do recinto para a viatura dos bombeiros conseguir passar, foi um sucesso e a árvore centenária sobreviveu. Cerca de 20 anos depois, o problema voltou a repetir-se, mas o desenvolvimento das técnicas de escalada tornou a operação menos complexa em termos de meios envolvidos.

No nosso roteiro, o Jardim do Goethe-Institut foi uma agradável surpresa, pelo conjunto relaxante que apresenta, que inclui o jardim, uma cafetaria com uma limonada deliciosa e uma vista privilegiada sobre Lisboa. Este é local a ter em conta para um almoço descontraído ou um lanche numa tarde quente.

O nosso périplo acabou com uma vista deslumbrante do rio Tejo, no Jardim Botânico da Ajuda, o primeiro jardim botânico português, com mais de 250 anos, que apresenta plantas dos quatro cantos do mundo.

Veja no programa os locais que ainda pode encontrar abertos esta tarde e parta à descoberta. Esta é uma possibilidade de conhecer, gratuitamente, outro lado de Lisboa, como mostram as fotos tiradas pelo colaborador júnior do blog que estão na página do Sempre Prontos para Passear no Facebook. Bom passeio.


25.5.19

À descoberta do Convento de S. Pedro de Alcântara

No miradouro de São Pedro de Alcântara, os olhares dos turistas deslumbram-se com a beleza de Lisboa. Depois de se admirar o casario que sobe até ao castelo e se espraia até ao Tejo, a atenção é atraída por um edifício branco imponente, com uma fachada de igreja ao centro, que existe a poucos passos, do outro lado da rua. O que será? Será que se pode visitar? Aproximamo-nos e a resposta surge facilmente: trata-se do Convento de S. Pedro de Alcântara e é visitável. 


Um folheto da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, responsável pelo imóvel desde 31 de Dezembro de 1833, por decreto de D. Pedro, explica que a história deste convento remonta à véspera da Batalha de Montes Claros (Guerra da Restauração), em 1665. Na altura, o 1.º Marquês de Marialva e 3.º Conde de Cantanhede, D. António Luís de Meneses, «fez um voto de erigir em Lisboa um convento dedicado a S. Pedro de Alcântara se os portugueses vencessem essa batalha».

Segundo o mesmo material informativo, «D. Veríssimo de Lencastre (1615-1692), Cardeal e Inquisidor-Mor do Reino, apoiou a fundação do edifício com doações, tendo manifestado a vontade de ficar sepultado, em campa rasa, neste convento». O seu irmão e sobrinho decidiram, em sua memória, construir a Capela dos Lencastres.

Foi precisamente a Capela dos Lencastres que vimos em primeiro lugar após a entrada no edifício, pois fica logo à direita. Como não sabíamos o que íamos encontrar, ficámos maravilhados com este espaço, não muito grande, mas profusamente decorado, «com mármores embutidos, ao gosto italiano». Soubemos depois que esta é «considerada a jóia deste monumento».


Seguimos para o átrio da igreja, construída em 1681, onde seis painéis setecentistas ilustram a caridade franciscana. Entrámos no templo, sendo atraídos pelas pinturas gigantes emolduradas, pelos azulejos das paredes laterais e pelos altares.

Através do folheto informativo, ficámos a saber que as pinturas são da época joanina» e que os painéis de azulejaria barroca retratam cenas da biografia de S. Pedro de Alcântara, numa «série única em Portugal». Neste lugar de culto destacam-se ainda «os altares em talha dourada com iconografia franciscana» e o «tecto pintado em “trompe l’oeil” pelo pintor francês Pierre Bordes, em 1878».

Com pena de não vermos a sacristia e o coro-alto, que podem ser percorridos nas visitas guiadas que existem nos primeiros domingos do mês (está anunciada uma para 2 de Junho), às 10h30, como refere o prospecto, saímos a interrogar-nos sobre quantos tesouros destes se podem encontrar na cidade de Lisboa.

Nem de propósito, alguns dias depois, foi divulgada a iniciativa “Open Conventos”, que durante três dias (23, 24 e 25 de Maio) abre ao público 26 conventos e mosteiros de Lisboa, alguns dos quais já com outros usos. 

Sabia que a actual Assembleia da República, o Museu Nacional de Arte Antiga, os Armazéns do Chiado, a Cervejaria Trindade, o quarteirão da Academia de Belas Artes, o Comando Territorial de Lisboa da GNR ou o Museu Arqueológico do Carmo já tiveram um passado como casas religiosas?

Organizada pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Patriarcado de Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa e pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, esta iniciativa inclui itinerários, visitas guiadas (com inscrição prévia) e livres.

Veja o programa e aproveite hoje o último dia do evento para percorrer gratuitamente esta parte do nosso património, onde está incluído o Convento de S. Pedro de Alcântara, que pode ver nas fotos que estão na página do Sempre Prontos para Passear no Facebook.